Por Edgard Charles Stuber

Há uma semana o sociólogo espanhol Manuel Castells apresentou-se no Fronteiras do Pensamento tratando de um assunto muito atual: o poder das redes sociais. Para ilustrar a palestra, usou alguns exemplos recentes ocorridos nos últimos três anos, como o movimento “Occupy Wall Street” nos Estados Unidos, os protestos na Turquia e na Grécia e também as manifestações de São Paulo. Da sua palestra, tracei muitos paralelos com a inovação, principalmente em relação ao medo e à insegurança diante da incerteza, à solidariedade e à importância do processo colaborativo.

Manuel Castells é professor nas áreas de sociologia, comunicação e planejamento urbano e regional em renomadas instituições. Pesquisador nos mais diversos campos, da política econômica às sociologias urbana e da cultura, Castells investiga os efeitos da informação sobre a cultura, a economia e a sociedade em geral, buscando compreender as transformações que as novas tecnologias estão produzindo em nossas vidas.

Para o sociólogo, existem diversas características comuns a todos os movimentos em rede que surgem no mundo e que indicam uma mudança no perfil da sociedade. “A estrutura social em rede se desenvolve nessa base tecnológica: a internet, as redes sociais e a comunicação móvel, assim como a era industrial se baseou na rede elétrica”, explicou.

Castells destacou a dificuldade que existe em se controlar as redes sociais, haja vista a impossibilidade de detenção da mensagem. Por isso, o que se tende a fazer é castigar o mensageiro. Esses tipos de movimentos, de acordo com o sociólogo, não têm início no sistema político, eles iniciam de forma espontânea na sociedade. “A opressão não necessariamente produz revolta e mudança social. Fazer algo contra o sistema de dominação é altamente perigoso. O medo é a equação fundamental”, destacou. Para enfrentar o medo é preciso raiva e indignação, pois esses sentimentos são mais fortes que o medo e levam à solidariedade. A partir daí surge a mobilização social, um processo que depende das ferramentas de comunicação de um tempo, e as de nosso tempo são fundamentalmente as redes móveis.

Achei conveniente citar alguns trechos da palestra de Castells pois dela podemos traçar muitos paralelos com a inovação. O que mais me chamou atenção foi quando ele falou sobre o medo, que é um ingrediente presente nos processos que envolvem inovação. É natural do ser humano ter medo das mudanças, e o que se pode fazer é fornecer uma metodologia que ajude as pessoas a passarem por esses momentos de incerteza.

Com relação à solidariedade citada, podemos fazer o paralelo com a necessidade da colaboração nos processos de inovação. Por ser um processo que deve ser feito em equipe, requer a colaboração entre os participantes.

Finalmente, outro ponto levantado pelo sociólogo que vale destacar é que o processo dos movimentos sociais é mais importante que o resultado. O mesmo acontece nos processos criativos, principalmente para as pessoas que tem motivação intrínseca: o que as fascina é o processo em si, sendo os resultados apenas a consequência de seu trabalho.

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