Por Edgard Charles Stuber

Conforme anunciei em meu post anterior, hoje apresento os resultados da primeira edição do curso de criatividade promovido pelo Venture Lab, da Universidade de Stanford.

Este curso intensivo online tem como objetivo explorar os diversos fatores que estimulam e inibem a criatividade em indivíduos, equipes e organizações. A cada sessão, as equipes virtuais se concentram em uma variável diferente relacionada à criatividade, tais como problemas de enquadramento, suposições desafiadoras e equipes criativas. O curso, altamente experimental, exigia que os  alunos participassem ativamente uma vez por semana, com prazos de menos de sete dias para apresentar soluções aos diferentes desafios apresentados semanalmente. Alguns dos desafios tinham que ser concluídos individualmente, e outros realizados em equipes.

A primeira turma do curso iniciou em outubro de 2012 e foi dividida inicialmente em equipes de cinco participantes, com critérios de zonas de fuso horário. Aqueles que se inscreveram para ter apenas uma participação esporádica,  foram colocados aleatoriamente para completar os times de cinco participantes.

Como de costume, um dos maiores desafios constatados foi  na formação das equipes, pois as motivações e os interesses dos participantes eram muito distintos. Inscreveram-se pessoas com graduação e pós-graduação, com experiência com ferramentas online e com idades entre 20 e 40 anos. Para realizarem as tarefas, os membros das equipes podiam se conectar através do site disponibilizado pelo Venture Lab, além das redes sociais, como Linked In, Facebook e Google +.

O Venture Lab realizou uma pesquisa no meio do curso e outra ao final. Na primeira, a idealizadora do experimento, Tina Seelig, identificou problemas como a já mencionada formação das equipes (pessoas com diferentes graus de comprometimento), o grande número de participantes – quase 40 mil – e o entendimento dos desafios, que precisavam ser amplos o suficiente para não reprimirem a criatividade dos grupos. Grande parte dos participantes afirmou ainda ter encontrado obstáculos na comunicação com os parceiros de equipe.

A segunda pesquisa, realizada ao final do curso, contou com aproximadamente duas mil pessoas e apresentou os seguintes resultados:

  • 74% das pessoas acharam uma forma muito eficaz de ensinar a criatividade;
  • 75% afirmaram que este formato é semelhante ou melhor do que um curso tradicional;
  • 90% disseram que os desafios eram de bom nível de dificuldade e que o ritmo funcionou muito bem;
  • 73% disseram que fariam um curso neste formato de novo;
  • 60% das pessoas gostaram da relação entre atividades individuais e em equipe;
  • 82% disseram que recomendariam o curso para outras pessoas.

Certamente o maior desafio foi acomodar nas equipes pessoas com diferentes níveis de comprometimento. Dentre os pesquisados, a maioria investiu entre duas e sete horas por semana e fez comentários muito positivos sobre o curso.

Mesmo com resultados positivos, ao final da primeira edição já é possível identificar algumas oportunidades de melhoria na formação de equipes e nos processos de avaliação. Em abril deste ano teve início o segundo curso online, repleto de novidades. A tentativa de prototipar cursos que possam ganhar escala global é muito atual e oportuna. Vamos aguardar os próximos resultados!

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